9 de maio de 2010

7 mitos criados por nossas mães que são umas mentiras deslavadas

Mãe não é tudo igual – mas isso não quer dizer que elas não sejam organizadas. Por trás dos Ilumminati, da Opus Dei, dos Maçons, existe uma confraria muito mais antiga, conhecida como Sociedade Internacional das Mães, que promove reuniões esporádicas em filas de supermercado, portas de escola e salões de beleza. Para os nossos olhos desatentos, um encontro de mães só carrega conversas sem propósito que sempre terminam com “esse meu filho!”. No fundo, o que elas estão fazendo é repassar seus códigos secretos e solidificar a dominação mundial que vem mantendo desde tempos mitológicos, até porque nós, filhos, somos mesmo uns desleixados que não nos alimentamos direito e nem sabemos passar roupa.

Para homenagear nossas mamães queridas nesta data festiva do Dia das Mães, o Puxa Cachorra! desvenda 7 mitos criados por elas que são umas mentiras deslavadas.




#7 O gelo formado no congelador é venenoso

Crianças gostam de geladeira, a ponto de abrir constantemente a porta dela para bater um papo com as prateleiras, além de ser uma experiência sem igual mergulhar a mão naquela mistura de gelo e água que escorre na hora de descongelar. Entretanto, se o gelo das formas acabar, nossas mães são bastante claras: nem pense em raspar com a colher aquele gelo formado nas laterais do congelador. Aquilo faz mal e vai ter dar dor de barriga, porque parece gelo, mas na verdade é formado pelos gases tóxicos da geladeira. Vai ter que esperar o refrigerante gelar sozinho!

Nada como brincar de explorador do Pólo Norte sem sair de casa

E isso é verdade? Não! O gelo formado nas paredes do congelador consiste exclusivamente do congelamento do vapor de água que sempre esteve no ar. Assim, a menos que sua geladeira seja realmente muito potente, não há o risco de ter congelado outra coisa junta, como nitrogênio. O gelo da lateral, aliás, deve ser até mais limpo do que o fabricado nas formas, já que invariavelmente a gente faz isso com água da torneira.

#6 Engolir chiclete causa morte instantânea

Historicamente, a relação entre mães e chicletes nunca foi boa, e o fato de que você colava seus chicletes mastigados embaixo da carteira da escola, tomava uma bronca da professora e depois uma bronca da mãe, por ter tomado uma da professora, não ajuda muito - além do mais, o chiclete veio para desestabilizar um dos cânones da obediência materna, o “mastigue com a boca fechada”. Como contra-ataque, a Sociedade das Mães passou a nos aterrorizar, dizendo que se você engolisse um chiclete, ele iria grudar na sua garganta e o sufocamento era questão de minutos. Mas, se Deus fosse misericordioso e você escapasse disso, acabaria com o chiclete grudado na parede do estômago, onde ele jamais seria digerido, e aí você teria que entrar na faca para resolver. Mastigar chiclete, então, era a mesma coisa que mastigar o cano de um revólver carregado.

Esse é o tipo do chiclete do qual eu vou manter meus filhos bem longe!

E isso é verdade? Não! Chicletes são feitos de um monte de açúcar e borracha, e o seu estômago dá conta sim de digerir a parte doce; por outro lado, é verdade que o organismo não pode fazer nada contra a borracha, então ela sai do mesmo jeito que entrou – mas ela sai, e isso é o que importa. Na verdade, risco mesmo só se você resolver mastigar, de uma vez, uma caixa inteira de Bubaloo e engolir tudo junto, porque aí é borracha demais para intestino delgado de menos.

#5 Sentar perto da televisão faz mal para vista

As mães sabem como colocar medo na gente; às vezes, elas dizem que fazer certa coisa vai dar em morte, e em outras vezes, em coisa muito pior. Quando você se sentava a trinta centímetros da televisão para assistir a Xuxa, ela passava pela sala e dizia “sai de perto da televisão que faz mal para vista, menino, e aí você vai ter que usar óculos”. Nós sabíamos que tipo de pessoas ao nosso redor usavam óculos: nossos avós e crianças esquisitas e zuadas na escola – e, definitivamente, não queríamos ser uma delas. Forçar a vista na frente da televisão ou lendo no escuro nos daria um castigo para o resto da vida, porque pessoas que usam óculos são nerds desprezados que tem 76% menos de chance de perder a virgindade um dia.

Não, não é nenhum de nós. Já disse que não é, não insistam.

E isso é verdade? Não! Assistir televisão de muito perto pode até causar irritação nos olhos e cansaço, mas não a ponto de ferrar com sua vista para sempre e você ser obrigado a usar aquele charmoso par de fundo-de-garrafa com aro preto de 4 centímetros. Existe sim uma relação entre ver televisão de perto e usar óculos: crianças que constantemente sentam perto da televisão podem estar tentando compensar uma miopia ainda não diagnosticada, ou seja, a televisão não faz ninguém ter que usar óculos, mas serve como indício de um problema de visão, que não tem nada a ver com a pobrezinha.

#4 Tomar banho depois de comer é arriscar a vida

Eu perdi as contas de quantas vezes eu ouvi minha mãe dizer “Não demora no banho que você acabou de comer”, porque eu poderia ter uma coisa chamada congestão, que é um problema que jamais ficou claro para nenhum de nós, mas que pelo nome não deveria ser boa coisa. Banhos depois do almoço não deveriam passar de cinco minutos, e o intervalo entre o almoço e entrar na piscina deve ser de uma eternidade de uma hora. E se você desobedecer, vai ter uma congestão. E nem queira saber como é ter uma congestão.

Todos mortos

E isso é verdade? Para não dizerem que estamos mal-intencionados, sim, isso é mais ou menos verdade. Depois que a gente come, o corpo precisa mandar uma grande quantidade de sangue para o estômago, para a digestão. Se você resolver fazer alguma atividade física logo depois de comer – por exemplo, nadar – o sangue tem que ir para outro lugar, e aí sua digestão fica prejudicada. A água até tem sua parcela de culpa: se estiver muito quente, o sangue precisa dilatar seus vasos por causa do calor, e deixa de ajudar na digestão.

Por outro lado, é preciso mesmo um esforço físico considerável, e se ensaboar no banho não é nem de longe a mesma coisa que tentar bater o recorde do César Cielo. Além do mais, a terrível da congestão é só um mal-estar estomacal como qualquer outro, e dificilmente uma pessoa consegue morrer disso.

#3 Andar descalço e tomar gelado é resfriado na certa

Dos 6 aos 15 anos, o ser humano é dominado pela vontade de andar descalço, especialmente porque isto parece ser uma afronta a uma das leis mais naturais do Universo: frio é sinônimo de resfriado. Assim, andar descalço sobre o piso frio de casa, e ainda por cima tomando gelado (e ai se for com gelo do congelador!) é simplesmente pedir para apanhar uma pneumonia sem escalas intermediárias.

Os lobisomens do Crepúsculo só não pegam gripe porque eles andam de kichute

Isso é verdade? Não! Vírus de gripe são transmitidos pelo contato com as mucosas, e nenhum deles seria safado o bastante para tentar entrar pelo seu pé e chegar até o seu nariz. Além do mais, a relação milenar entre frio e gripe é uma das coisas mais mal-contadas da humanidade: ninguém pega gripe porque está frio (ou porque tomou sorvete); acontece que, em dias mais frios, as pessoas tendem a ficar em lugares fechados e com pouca ventilação, onde o trânsito do vírus é muito maior, mesmo se você estiver de sapato.

#2 Videogames estragam a televisão

Nas reuniões anuais da Sociedade das Mães, deve existir um momento em que, para descontrair, elas arremessam consoles de videogame contra a parede, enquanto dão gritos de guerra e dizem palavras de ordem. Videogames são maus elementos dentro de casa, porque fazem seu filho parar de estudar e, acima de tudo, danificam a televisão, marcando a imagem, tirando os canais de sintonia e, eventualmente, queimando o aparelho depois de duas horas de uso. E ainda fazem as crianças sentarem perto da tela e forçarem a vista.

Pedro Henrique! Eu avisei que não queria você jogando esse videogame na sala!

Isso é verdade? Não, mas nem de longe! Um videogame funciona como qualquer outro periférico ligado à televisão, como um videocassete, um dvd ou até uma daquelas antenas parabólicas gigantes da TecSat – ou seja, em tese, todos eles têm o mesmo potencial destrutivo. Aquele papo de que você não podia deixar o Super Mario Bros no pause porque a tela ficaria marcada também é uma lenda, já que para desgastar um ponto no tubo de imagem, você precisaria de muitas, mas muitas horas com a mesma imagem fixa. No fundo, mães, nós sabemos porque vocês inventaram essa: é porque a gente nunca morria no jogo, e a novela estava para começar, e vocês estavam atrás de um argumento democrático que não fosse “desliga isso e vai dormir agora!”

#1 Bolos confeitados de padaria são feitos de massa de pão francês

Vocês nunca devem ter ouvido isso da mãe de vocês, mas eu e meu irmão ouvimos da minha, e eu resolvi dar o primeiro lugar a isso como forma de homenageá-la. Desde muito pequeno, minha mãe me alertou sobre os perigos da enganação daqueles bolos cheios de chantily e raspas de chocolate expostos nas vitrines das padarias e supermercados: eles eram de miolo de pão francês, e a cobertura era só para tapear pessoas desinformadas. Quando alguém comentava comigo que tinha visto um bolo desses, eu avisava mais que depressa sobre a tática sórdida de que eu tinha ficado sabendo.


Isso é verdade? Poxa, claro que não! Bolos de padaria são bolos como todos os outros, e alguns são realmente muito gostosos. Vocês devem estar achando que esse mito não é dos mais relevantes, mas espere até eu contar que acreditei nisso ATÉ MEUS 18 ANOS!!! Quando vim para a faculdade, ajudei a organizar um aniversário e vi com meus olhos que o bolo da padaria era de verdade! E o pior é que naquele dia eu ainda tentava avisar as pessoas “não comprem isso, por dentro, é só miolo de pão!”. Mas eu entendo minha mãe: ao invés de dizer “não temos dinheiro para comprar isso”, ela preferiu uma abordagem psicológica a longo prazo, que funcionou muito mais. Só acho que, quando ela foi me explicar sobre como os bebês eram feitos, poderia ter esclarecido a história sobre os bolos também.


Mitos e piadas de lado, o Puxa Cachorra! quer desejar um Feliz Dia das Mães a todas as mães que visitam o blog, bem como a todos os filhos das mães que também o fazem.

(Ah, e só para avisar; as informações “científicas” do texto de hoje foram tão averiguadas no Google. Então, se alguém quiser discordar, visite este site aqui . Grato)

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